domingo, 28 de julho de 2013

Resenha: Garota Exemplar



Autora: Gillan Flynn
Editora: Intrínseca
Páginas: 448 pág.
Lançamento: 08/03/2013
Avaliação: 9,8

Sinopse: Em Garota exemplar, a narrativa não linear de Gillian Flynn se alterna entre duas perspectivas opostas e conflitantes, construindo uma atmosfera dúbia, capaz de fazer o leitor mudar de opinião a cada capítulo. Com um humor perspicaz, o thriller expõe as consequências psicológicas da deterioração de um relacionamento íntimo. Se para muitos o problema está em acordar e perceber que não se conhece muito bem a pessoa com quem se divide a cama, Flynn alerta: o inferno pode ser conhecê-la bem demais.

Na manhã do quinto aniversário de casamento, Amy desaparece da nova casa, às margens do Rio Mississippi. Tudo indica se tratar de um sequestro, e Nick imediatamente chama a polícia, mas logo as suspeitas recaem sobre ele. Exibindo uma estranha calma e contando uma história bem diferente da relatada por Amy em seu diário, ele parece cada dia mais culpado, embora continue a alegar inocência. À medida que as revelações sobre o caso se desenrolam, porém, fica claro que a verdade não é o forte do casal.

Um thriller genial e um casal que deixaria Freud maluco.

Esse livro me deixou bastante aflita. É difícil você ler e não ficar angustiada. Li à noite, e simplesmente não consegui dormir. Eu ainda estava “dentro do livro” e me perguntava o que passava pela cabeça da Amy e do Nick, ambos são pessoas complicadas e possuem, até certo ponto, mentes doentias. Seus pontos de vista são completamente distintos para um mesmo fato, e você se sente num cabo de guerra, sendo disputado como um prêmio. Cada um tenta convencê-lo de que está certo e as dúvidas surgem na sua mente: quem está mentindo? Quem está falando a verdade? Em quem eu devo acreditar?

Eles têm um casamento conturbado, passando por almas gêmeas no inicio do namoro a quase inimigos após o 4º ano de casamento. O que, se paramos para pensar, não é muito diferente de uma infinidade de casais por aí. Meus próprios pais passaram por isso e eu fui plateia de muitas de suas brigas. Seria então um clichê? Sim. No entanto, apenas a essência da estória é um clichê. Gillan Flynn usa isso apenas como uma base e cria uma narração completamente fascinante e viva. Os personagens são tão bem idealizados e descritos, que parecem reais, cada um com suas qualidades e defeitos (esse em maior número). O leitor sente os problemas do casal na pele, e anseia o próximo capítulo, para poder descobrir cada vez mais e mais. Sim, cada capítulo é uma nova descoberta, e eu ficava boquiaberta enquanto lia cada uma delas.

Não vou mentir, o começo do livro é um pouco monótono, e as melhores partes se encontram a partir do meio para o final, quando são revelados fatos e pensamentos surpreendentes.

A autora coloca o casamento em um pedestal diferente dos contos de fadas, no qual a vida em dois é perfeita. Muito pelo contrário. Se eu fosse casada, começaria a pensar sobre um ou dois pequenos detalhes do meu casamento. Por que, acreditem: se cavar mais fundo, vai saber que esses pequenos detalhes podem significar grandes problemas. E torça, torça muito para não se arrepender de tê-los desenterrado.